O pastor de 47 anos investigado por estar na companhia de uma mulher e de um homem que morreu dentro de uma suíte de motel em Catanduva, no interior de São Paulo, tem histórico de violência doméstica e atua como líder evangélico há mais de dez anos.
Conforme apurado pelo g1, Alex Sandro Soares Zeca está à frente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Adonai, fundada em 2015 no município. Ele é casado e tem uma filha.
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Alex Sandro Soares Zeca é pastor em igreja em Catanduva (SP) — Foto: Reprodução/Facebook
Alex também preside a Comunidade Terapêutica de Paraíso Adonai, entidade voltada a trabalhos sociais e ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade e com histórico de dependência química.
Nas redes sociais da igreja, é possível ver publicações de cultos e ações beneficentes realizados pelo local, como a produção e a distribuição de marmitas por meio do projeto "Alimentando o Amor".
Nos vídeos dos cultos, Alex faz pregações sobre pecado, comportamento e esperança em tempos difíceis, além de falar da importância da disciplina cristã.
Apesar da atuação evangélica, o pastor tem um histórico de ocorrências policiais por agressões, posse irregular de arma de fogo e abuso de substâncias. Veja detalhes abaixo.
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Alex Sandro Soares Zeca é pastor em igreja em Catanduva (SP) — Foto: Reprodução/Instagram
Histórico de violência doméstica
Em novembro de 2025, Alex já havia sido preso em flagrante no bairro Jardim Bela Vista, em Catanduva, depois que sua filha, à época com 11 anos, ligou para o 190 e denunciou que o pai estava armado e agredia a mãe. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a esposa do suspeito com ferimentos e sangramento na boca.
À época, a vítima relatou à polícia que o marido fazia uso contínuo de drogas há quatro dias. No guarda-roupa da casa da família, a PM apreendeu um revólver calibre 22 carregado e sem documentação.
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Delegacia da Polícia Civil em Catanduva (SP) — Foto: Google Street View/Reprodução
Devido ao estado de agitação e alteração comportamental, Alex foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sob escolta e encaminhado à ala psiquiátrica do Hospital Padre Albino, antes de ser levado para a cadeia. Na ocasião, a esposa solicitou medida protetiva de urgência.
Em uma situação recente na segunda-feira (19), dois dias após o episódio no motel, o pastor foi detido novamente pela Polícia Militar por suspeita de violência doméstica após se desentender com a esposa e exigir que ela deixasse a residência do casal.
Na ocasião, o homem tentou fugir pulando muros e foi localizado pela PM escondido nos fundos da casa de um vizinho. Ele foi conduzido ao plantão policial, onde prestou depoimento e foi liberado. O caso é investigado.
Morte no motel
No dia 12 de outubro, Alex estava na suíte de um motel acompanhado de Ana Lígia Oliveira do Carmo e de Fabrício Augusto das Neves, de 33 anos, que morreu no local.
Em depoimento à Polícia Civil, ao qual o g1 teve acesso com exclusividade, Ana Lígia afirmou que o trio consumiu bebidas alcoólicas, maconha e cocaína, sendo este último entorpecente fornecido pelo pastor.
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Homem que morreu em suíte de motel em Catanduva estava acompanhado de casal — Foto: Google Maps
Ana disse aos policiais que manteve relação sexual com o pastor. A mulher chegou a convidar Fabrício para se juntar a ela e a Alex na cama, mas ele teria recusado. Durante a permanência no quarto, a vítima começou a passar mal, sofreu convulsões e expeliu água e espuma pela boca.
Em nota, o Motel Psiu informou que preza pelo sigilo dos clientes e não se manifestará. O g1 tenta contato com a defesa dos investigados.
Segundo o registro policial, ao ver Fabrício desacordado, o pastor tentou pagar a conta e fugir, mas foi contido pelos funcionários do estabelecimento, pois o quarto ainda estava ocupado. Na sequência, Alex usou o carro para arrombar o portão do motel e deixou o local.
O Samu foi acionado, mas a morte de Fabrício foi constatada ainda na suíte. A ocorrência segue sob investigação da Polícia Civil de Catanduva e foi registrada como morte suspeita, dano, fraude processual e porte de drogas para consumo pessoal.
